"TRIBUTO A CLARICE LISPECTOR."

16 de jun. de 2010

"Se precisa mesmo viver comigo, deite fora de mim e não gesticule ilusões. Não tropece nas mentiras, nem costure o nosso futuro num passado qualquer que vivemos. Aceite suas poucas oferendas e mergulhe no meu jardim. Admire as consequências e faça um pacto comigo enquanto elogio a sua boca. Não me ofereça tempo para motivos e miseres discussões. Ocupe todo o meu abraço, afaste um pouco a cômoda e se possível, pinte – a. Aquela cor desbotada te irrita e infantiliza o nosso amor enquanto eu te admiro e você exige algo melhor. Não prepare a mesa, nem arrume a casa. Não leve a música que eu gosto, nem coloque flores na cama. Seu falso romantismo me entristece e torna tudo muito exagerado. Não me alerte sobre as horas, provas e bilhetes na porta. Estou ciente de todas as tempestades. Não me ligue antes de chegar. Apareça ou me deixe esperando até dormir de tanto pensar no seu último sorriso. Chegue e seja o melhor que pode ser mesmo que esse seja insuficiente. Seja com todos os seus defeitos e erros que eu ainda consigo perdoar. Seja. Agora se não for tão preciso ocupar todo o meu tempo; acumule seus sonhos, empacote seus planos, embrulhe suas vontades, carregue meu silêncio pelas pontas e comemore a nossa volta - sozinho."

(Priscila Rôde)
"Por que coração quando quer cicatrizar, faz doer. Dói tanto, tanto, que se multiplica e me toma por todos os lados. Me come pelas beiradas, pelas lembranças frescas, as mais bonitas e não eternizadas. Dói tanto, tanto, que se perde. Daí me vejo assim, toda coração. Do muito que sinto até o  pouco que quero esquecer. Um fragmento, pedaço meu solto e perdido dentro de mim tentando ser seu de novo. Mal sabe ele que pouco te sei aqui dentro."

(Priscila Rôde)

12 de jun. de 2010

"(...)Mas ela Caminhava para Frente,


sempre para a Frente,
como se anda na Praia,
o Vento alisando o Rosto,
Levando para trás os Cabelos(...)."
(Clarice Lispector)




"Sinto o último Suspiro,


o último Beijo,

te perco num Relance.

de repente, me Perco."

Priscila Rôde
“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum:é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias.Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto,eu consisto,Amém."

7 de jun. de 2010

5 de jun. de 2010

4 de jun. de 2010